Trabalho de peritos do Laboratório de DNA Forense contribui para elucidação de homicídio

Trabalho de peritos do Laborat_rio de DNA Forense contribui para elucida__o de homic_dio. FOTOS JOTA EUR_PEDES (8)

Mais um crime foi elucidado em Goiânia graças ao trabalho de peritos criminais do Laboratório de DNA Forense da Superintendência de Polícia Técnico-Científica da Secretaria de Segurança Pùblica e Administração Penitenciária (SSPAP) que, ao confrontarem amostras coletadas no corpo da vítima com material genético doado pelo suspeito, chegaram a um perfil único e compatível. Essas coletas e análises, aliadas ao trabalho de investigação realizado por uma equipe da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), permitiram à polícia chegar à autoria do assassinato de Luzanir Soares da Silva Borges, ocorrido no dia 18 de janeiro passado. O autor, Irineu da Silva Santos, vulgarmente chamado de “Chucky”, teve a sua prisão preventiva solicitada e será colocado à disposição da Justiça.

O crime ocorreu na residência da vítima no Jardim Europa, onde Luzanir morava com o marido e a filha de três anos de idade. Ela foi encontrada pelo marido às 17h, no sofá da sala, estrangulada com um fio de aparelho de tevê. A filha do casal estava dormindo e despertou com os gritos do pai ao deparar com a cena. O marido, Edivanio Damascena Nunes, é pedreiro e tinha passado o dia no trabalho. Segundo ele, oito dias antes do crime, o suspeito que morava na casa ao lado tinha pulado o muro da residência por volta de 22h, sendo surpreendido por Edivanio que o perseguiu e foi ameaçado por ele. Segundo contou depois à polícia, houve também desavenças entre a vítima e o vizinho por conta de uns gatos que eram jogados de um lado e de outro do muro por eles.

Investigações
Ao apresentar o autor do homicídio à imprensa, nesta quinta-feira, o delegado adjunto Paulo Ludovico afirmou que este foi um crime de difícil elucidação, uma vez que não houve testemunhas. Apenas se soube que um vizinho tinha fugido no dia do crime. Como o corpo de Luzanir foi encontrado pelo marido, as primeiras suspeitas recaíram sobre ele. No entanto, ao ouvirem a mulher que alugava a casa para o suspeito, os policiais souberam que ele tinha o apelido de “Chucky”. A partir daí, foram dias e dias de investigações, até que eles chegaram ao suspeito que estava internado para uma cirurgia no Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO), vítima de tentativa de homicídio por dívida de drogas.

Irineu Santos, que em função do ferimento à bala encontra-se numa cadeira de rodas, é natural de Itapuranga e tem 28 anos de idade. É solteiro e foi baleado numa briga com traficantes no Jardim Planalto, em Goiânia, poucos dias após o crime.

Conforme explicou o delegado Paulo Ludovico, Irineu teve duas prisões temporárias decretadas enquanto permaneceu no hospital, sendo que a segunda vence daqui a cinco dias. Nesse momento, porém, a DIH já pede ao Poder Judiciário que decrete a prisão preventiva do suspeito que tem quatro outras passagens pela polícia, por tráfico de drogas e receptação, entre outros crimes. Foi durante a permanência de Irineu no HUGO que a polícia conseguiu que ele concordasse em doar material genético para o confronto com o perfil encontrado nas amostras colhidas no corpo da vítima.

“Trabalho da Polícia Técnico-Científica foi imprescindível”, diz delegado

“Esse trabalho da Polícia Técnico-Científica foi imprescindível  para a elucidação desse caso e se não tivéssemos o laudo de DNA, provavelmente seria difícil chegar à autoria”, afirmou o delegado, explicando que o suspeito, embora não tenha confessado o crime, disse que pode ter cometido, mas que por ser usuário de drogas não se lembra se o fez.  Para a coleta do material genético, extraído da mucosa oral de Irineu da Silva Santos, foi necessário que ele assinasse um termo de consentimento de doação da amostra referência.

Para a superintendente da Polícia Técnico-Científica, Rejane Barcelos, as primeiras amostras foram coletadas pelos peritos no próprio local do crime e, depois, quando o corpo da vítima chegou ao IML, também houve um trabalho integrado entre peritos criminais e os médicos legistas, quando se coletou, também, amostras de material genético em várias partes do corpo da vítima, incluindo sob as unhas das mãos. Também foram analisadas amostras colhidas em pontas de cigarro que foram encontradas na casa vizinha. Segundo Rejane Barcelos, as análises das células encontradas sob as unhas da vítima mostraram que se tratava de um perfil do sexo masculino.

Mas, conforme explicou a superintende, foi a partir do trabalho de investigação feito pela DIH que chegou à identificação do suspeito no hospital que possibilitou fazer o confronto entre o perfil encontrado até então e o perfil genético do suspeito.  “Antes, sabíamos que as amostras indicavam um mesmo perfil, mas não tínhamos a identificação do autor, agora, é possível afirmar que se trata de um perfil único e compatível com todos os marcadores do perfil do suspeito que estava sendo analisado”, disse. Conforme esclareceu, essa, sim, é uma prova forte de que o suspeito é realmente o autor do crime. A probabilidade de se encontrar outra pessoa com o mesmo perfil é raríssima.

De acordo ainda com Rejane Barcelos, nas análises de DNA são observados os marcadores autossômicos e o do cromossoma sexual, que indicam características genéticas da pessoa. Essas análises permitem fortalecer a prova material indicando autorias de crimes. Um trabalho que agora, segundo declarou, será intensificado com a chegada dos novos peritos e médicos legistas aos institutos de Criminalística e de Medicina Legal. “Esses novos profissionais vão fortalecer ainda mais o trabalho de coleta e de análise de dados, para darmos respostas mais rápidas à polícia e à sociedade”, acentuou.

Perna pra cima

Os familiares de Luzanir estiveram na Delegacia de Homicídios na manhã desta quinta-feira para ver de perto o autor do assassinato da jovem que estava concluindo a faculdade de Enfermagem. “Desde aquele dia minha vida virou de perna pra cima, a vida da gente parou; felizmente a gente acredita em Deus”, disse Edivanio Nunes, que é paraense e veio com 13 anos de idade para morar em Goiânia. Ele agora está morando só, enquanto a filha ficou sob a guarda da avó. Quanto ao trabalho de investigação e de análise pericial realizado pela polícia goiana, ele observa que a família recebe com grande alívio a notícia. “Foi muito cruel, muito covarde o que ele fez e vai ter que pagar por isso”, acentuou.

Também na Delegacia de Homicídios estava a tia da vítima, Maria Soares da Silva, e a prima, Cláudia Silva Fernandes, que moram no Recanto do Bosque. “Ficamos todos muito tristes porque ela era uma pessoa muito boa e correta, e estava se programando para voltar a trabalhar”, disse Claudia. Amigos do casal que moram próximo à antiga residência e que deram todo apoio a Edivanio depois do crime também compareceram à DIH e se mostraram revoltados ao ver o autor do homicídio.

FOTOS: JOTA EURÍPEDES

Comunicação Setorial
Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP)
(62) 3201-1004, 3201-1055

 

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