Operação Livramento: Polícia Civil desarticula esquema de corrupção em presídios

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), deflagrou na manhã desta quarta-feira (19/10) a Operação Livramento, cujo objetivo foi desarticular uma extensa organização criminosa que atuava em presídios goianos. Ação resultou na prisão de 52 pessoas. Ao todo, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão e oito mandados de condução coercitiva. Dentre os detidos estão servidores e ex-servidores da Superintendência de Administração Penitenciária da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP), advogados e parentes de presos.

De acordo com os delegados da Draco, Breynner Vasconcelos (titular), e Cleybio Januário (adjunto), investigações, que tiveram início há cerca de seis meses, constaram que criminosos estavam sendo liberados de forma irregular do complexo prisional. Entre os crimes cometidos estão falsificação de alvarás, venda de certidões de dias trabalhados, recebimento de dinheiro de presos, extorsão em processos de triagem, corrupção mediante recebimento de favores sexuais, venda de atestados médicos, falsificação de cartas de emprego, recebimento de propina e exploração de prestígio (advogados que alegavam influência junto a membros do poder judiciário).

De acordo com o titular da Draco, com o esquema criminoso, todos os envolvidos lucravam. Desde o agente que recebia inicialmente o preso na Central de Triagem, e indicava ou exigia a contratação dos advogados operadores da organização, até o carcereiro que abonava as faltas dos presos em regime semiaberto, em troca de favores sexuais, pagos pelas esposas de alguns detentos. “Além das prisões, foi determinado o afastamento das funções de todos os servidores investigados e a suspensão do exercício da advocacia dos advogados acusados de participação.

Investigações

Durante a apresentação do caso, ocorrido no auditório do Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica, o secretário em exercício da SSPAP, Coronel Edson Costa, afirmou que as investigações tomaram corpo após a deflagração da Operação Esfacela, ocorrido em março desse ano. Na ocasião, foram cumpridos 45 mandados de busca de apreensão e 45 mandados de prisão em diferentes cidades do Estado. Investigações mostraram que criminosos – inclusive presos – se comunicavam para planejar e executar diversos crimes, como roubos de carros, assaltos a carros-fortes e explosão de caixas eletrônicos.

As ações da Operação Livramento ocorreram na Capital e Aparecida de Goiânia, além de um servidor preso em Bonfinópolis. Segundo o adjunto da Draco, delegado Cleybio Januário, entre os presos beneficiados estão criminosos de alta periculosidade.

Na lista constam nomes como Valbir Vicente Ferreira, Marcos José da Silva, Marcelo Silva Evangelista, Hermegildo Antônio de Araújo, Jesse Paixão da Silva, Hori Ferreira de Paula Filho, Sérgio Dantas da Silva Filho, Rivadavia Sande de Andrade Júnior, Alan Pires de Andrade, Edvaldo Batista da Silva, Flávio Fernandes da Silva, Iuri Martins da Silva, Ângela Borges Irmão e Adriana Dias Sena.

Os detentos, do regime fechado e semiaberto, cumprem penas na Casa de Prisão Provisória (CPP), Penitenciária Coronel Odenir Guimarães (POG), no Centro de Triagem e Colônia Agro-Industrial do Regime Semi-Aberto. O superintendente de Administração Penitenciária, Victor Dragalzew, alerta que todos os servidores envolvidos têm direito a ampla defesa e o contraditório, e aguardam a conclusão do inquérito. “Precisamos salientar que se trata apenas de uma parcela de funcionários suspeitos, mas a ampla maioria são pessoas comprometidas e que contribuem grandemente com a manutenção do sistema de execução penal no estado”, pontua.

Força-tarefa 

A força-tarefa que deflagrou a Operação Livramento contou com a atuação de 202 agentes, 55 delegados e 58 escrivães, além de apoio das polícias Militar e Técnico-Científica, Corpo de Bombeiros Militar, superintendências de Administração Penitenciária e de Ações Integradas, Receita Federal e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Goiás, com a utilização de 100 viaturas.

A apresentação do caso foi feita pelo titular em exercício da SSPAP, Coronel Edson Costa, com a participação do superintendente de Administração Penitenciária, Victor Dragalzew, delegado-geral da Polícia Civil, Álvaro Cássio, comandante-geral da Polícia Militar, Coronel Divino Alves, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, Coronel Carlos Helbingen, corregedor da SSPAP, João Gorski, e representantes da Polícia Técnico-Científica e da OAB.

“Órgãos de controle interno estão atento a todas as questões”, afirma secretário em exercício

 A declaração é do coronel Edson Costa sobre a Operação Livramento que prendeu servidores do sistema penitenciário e advogados suspeitos de fraudes para beneficiar detentos. “Estamos cortando na própria carne e não haverá condescendência”, afirma

O secretário em exercício de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP), coronel Edson Costa, declarou nesta quarta-feira (19/10), durante a coletiva de imprensa sobre a Operação Livramento, que “os órgãos de controle interno estão atentos a todas as questões”. A operação desarticulou uma organização criminosa composta por servidores públicos, advogados e presos do complexo prisional de Aparecida de Goiânia e de Goiânia

“O compromisso do governo, da Secretaria de Segurança Pública, é com a rigidez, principalmente de instituições que tem como responsabilidade o resguardo da lei”, declarou. Edson Costa também disse que esse “não é um bom dia para a instituição” e que não haverá complacência com atitudes fora da normalidade entre os servidores.

“Estamos cortando na própria carne. Porém, fazemos isso com responsabilidade e sinalizando que mais do que nunca, os nossos órgãos de controle estão atentos as questões internas dessas corporações”, diz o secretário. Segundo ele, “não haverá condescendência” alguma na conduta de desvios internos.

O superintendente executivo de Administração Penitenciária, coronel Victor Dragalzew, explicou que o trabalho contra as condutas ilegais tem sido feito. “Estamos dando cumprimento às diretrizes do nosso secretário de Segurança Pública, José Eliton, que é fazer as investigações daquelas condutas que são consideradas nocivas à sociedade”, disse.

Dragalzew afirmou também que “o que precisa ser feito, está sendo realizado com toda seriedade, cautela e cuidado”. Afirmando que os direitos dos servidores estão sendo preservados na medida em que a lei determina. Ele ressaltou que apenas uma pequena parcela de servidores está envolvida nesse desvio de conduta e que a pasta conta com “servidores altamente compromissados, capacitados e interessados em fazer um bom trabalho”.

O superintendente Explicou que uma reunião já foi realizada com os dirigentes da superintendência para traçar novas diretrizes para que “possam melhorar a prestação de serviço”. Os servidores envolvidos nesse episódio foram afastados temporariamente. Eles responderão a processos administrativos e também pelas investigações por parte da polícia.

 FOTOS: REPRODUÇÃO E JOTA EURÍPEDES

Comunicação Setorial
Secretaria de Estado de Segurança Pública
e Administração Penitenciária (SSPAP)
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